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O nosso luto em tempo de Pandemia

Sugestões para vivenciá-lo.

Por mais que a morte seja o destino de todos nós, é quase sempre uma vivência dolorosa na nossa sociedade.

O luto é uma resposta natural à perda e todas as perdas reais ou simbólicas exigem um reajustamento à nova realidade. O processo de luto ativa um conjunto de manifestações clínicas: físicas, emocionais, cognitivas e comportamentais, que são uma reação ao luto “saudável” e que não devem ser ignoradas ou disfarçadas. Devemos ter espaço para vivenciá-las no tempo certo sem delays! Ao contar a história do nosso luto estamos a elaborar e organizar as emoções/pensamentos, o que vai ajudar a lidar com a perda e a perceber melhor como o luto me está a afetar.

Cada pessoa vive a perda de forma diferente, contudo sabemos duas coisas:

– Um dos sinais que balizam o processo de luto é a duração: o processo de luto “saudável” dura, em média, 6 meses;

– Alguns fatores podem facilitar ou dificultar a resolução do luto, como a relação e a qualidade da mesma com a pessoa que faleceu, as caraterísticas de personalidade da pessoa que sofreu a perda e as circunstâncias da perda.

Quando falamos do luto em tempos de pandemia, estamos a falar de um contexto por si só passível de gerar um luto “traumático”, uma vez que estamos normalmente mais vulneráveis do que estaríamos numa vivência sem pandemia, estamos constantemente a sermos confrontados com a nossa própria morte, com a nossa finitude; estamos mais sujeitos a reviver lutos antigos; as perdas são repentinas e, por isso, nem sempre encontramos sentido para o que aconteceu. 

A pandemia roubou o ritual (cerimónias fúnebres), a possibilidade de representar a perda, de criar um momento simbólico de despedida, com palavras que ficaram por dizer e que não terão agora espaço para serem ditas.  

Este contexto que vivemos não ajuda na elaboração do luto. Mas podemos tentar minimizar as consequências com pequenas estratégias que facilitam a necessária adaptação à nova realidade. 

Sugestões para vivenciar o luto:

  • Não adie o luto, aceite o que está a sentir pois “bloquear” o processo de luto só aumentará o seu sofrimento emocional;
  • Não se isole, procure falar com pessoas que possam funcionar como fonte de suporte. Fale das suas necessidades abertamente para poder ser apoiado;
  • Respeite o seu tempo e as suas emoções. Tente não se sentir pressionado como “se deve ou não fazer o luto”. Não existe uma forma correta de fazer o luto. 
  • Se não conseguir fazer a despedida e realização de uma cerimónia fúnebre, encontre a sua forma particular de prestar homenagem ao ente-querido;
  • Valorize o autocuidado, dentro do possível, continue a investir em atividades ou tarefas que lhe dão prazer sem que isso o faça sentir culpado;
  • Se sentir que o sofrimento está a afetar o seu dia a dia procure ajuda de um profissional.

Lembre-se que a relação com a pessoa que faleceu não acabou, apenas mudou a forma como vai estar representada nas nossas vidas.

Deixamos-lhe informação útil, caso queira ler mais sobre o assunto:

http://recursos.ordemdospsicologos.pt/files/artigos/covid_19_todos_estaremos_de_luto_v2.pdf

https://www.sns.gov.pt/wp-content/uploads/2018/06/B1_O-Meu-luto.pdf

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