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Quem fala agora: o regresso às aulas na primeira pessoa.

O que sentem as crianças e jovens no regresso às aulas, em tempos de Pandemia.

Depois de escrevermos sobre a saúde mental das crianças e jovens neste regresso às aulas, decidimos pedir aos mais novos que nos relatassem a sua experiência na primeira pessoa, dando-lhes a voz que tanto merecem.

Falámos com a Juliana, a Leonor, a Evelina, o André e a Ana, que frequentam a Ludoteca da Helpo, nas Fontainhas, e também com a Maria João, o Ricardo, a Mafalda, a Cláudia e a Inês, participantes do projeto Saibreiras: Pintar o Futuro, dinamizado pela Helpo no Bairro das Saibreiras, em Ermesinde.

As suas respostas às nossas questões inspiraram-nos e deixaram-nos certos de que os mais novos estão prontos para reaprender e reinventar a forma como experienciam o mundo, com responsabilidade, cuidado e sem esquecer aquela que é uma das grandes bases do desenvolvimento: a interação humana. 

Qual foi a tua primeira impressão quando chegaste à escola, no primeiro dia de aulas?

Juliana: “Estranho – ver toda a gente de máscara, não poder ir para onde queria…não gostei muito.”

Leonor: “Ver toda a gente de máscara e as setas no chão, o distanciamento, foi estranho. É mais difícil manter o distanciamento das minhas amigas mais próximas.”

Do que sentiste mais falta durante o tempo em que estiveste em casa?

Maria João: “Senti muita falta de comunicar.”

Ricardo: “Senti falta de sair de casa, de ir ao basket e futebol.”

Mafalda: “De namoriscar e de andar de patins.”

Cláudia: “Não senti grande diferença, pois já não saía muito de casa, mas senti falta do convívio com os meus amigos.”

Juliana: “Dos meus amigos, de estar assim com as pessoas.”

Evelina: “Da professora e dos meus amigos.”

O que achas sobre as mudanças que existem na escola?

Inês: “Estou num curso profissional e naquela escola só tenho uma disciplina de manhã e uma à tarde e apenas dez minutos de intervalo. Torna-se muito puxado estar no mesmo sítio com a máscara, é mesmo estranho e diferente. Na escola temos disponíveis os desinfetantes e percursos bem sinalizados e apesar de sabermos que é necessário, provoca “muitas dores de cabeça”. A adaptação é difícil pois não estou habituada a estar tanto tempo fechada!”

Leonor: “Há muitas pessoas que não cumprem as regras, há meninos que têm problemas (casos problemáticos) que não cumprem. No recreio não cumprem muito as regras, porque as auxiliares já não conseguem dizer aos meninos mais velhos para fazerem as coisas. Na sala é mais fácil porque está o professor.”

André: “Acho que deviam fazer a entrada de uma turma de cada vez quando vamos entrar para as aulas, porque fica muita gente junta.”

Ana: “São estranhas, não podemos ir para onde queremos e não podemos dar beijinhos nem abraços.”

Evelina: “Acho que foi por causa do Covid, não podemos abraçar nem beijar nas bochechas, nem por as mãos nos olhos, nem na cara. É difícil respeitar as regras porque eu quero abraçar os meus amigos e a professora.”

Que conselho darias a alguém que estivesse com dificuldade em adaptar-se às mudanças que existem na escola?

Inês: “Tem “masé” calma que a COVID-19 pode pegar a todos, não é exclusivo! É preciso ter calma, paciência e zelarem pelo bem dos outros.”

Leonor: “Dizia a ela para ter mesmo cuidado porque o Corona não está para brincadeiras, põe a máscara, põe o álcool”.

André: “Tentava ajudar na hora de almoço, dizia onde ele devia passar, dizia as regras as vezes que fossem precisas até ele conseguir.”

Evelina: “Eu dizia que os senhores vão resolver isto e tudo vai ficar bem.”

Se um colega teu ficar infetado como achas que vais reagir?

Ricardo: “Reagiria muito mal porque conheço os meus colegas há muito tempo e teria de ir outra vez para casa, ter de voltar a confinar!

Inês: “O que me preocupa mais é eu infetar os outros, o meu irmão, a minha família, eles têm problemas de saúde.”

Juliana: “Ficava com medo de também estar infetada, dizia à minha mãe e se fosse melhor ficar em casa ficava.”

André: “Acho que ia entrar em pânico…com medo que acontecesse alguma coisa ao meu colega. Tentava acalmar os irmãos pequenos deles para os consolar.”

Se ficares infetado como achas que os teus colegas de turma vão reagir? 

Inês: “Termos consciência de avisar os outros, não ter vergonha nem sentir culpa em avisar e seguir as instruções da DGS. As pessoas falam muito, fingem que compreendem e discriminam.”

Juliana: “Acho que também iam ficar com medo, mas iam respeitar se tivessem de ficar em casa.”

André: “Acho que iam ficar preocupados porque somos todos muito amigos.”

Ouvir os nossos jovens permite-nos identificar possíveis sinais de dificuldades de adaptação à nova realidade. A melhor forma de ultrapassar estas dificuldades é, juntamente com os mais novos, encontrar soluções para as ultrapassar e assim trazer maior estabilidade para as suas vivências.

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