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COVID-19 e a Segurança Alimentar

Boas práticas de higiene e segurança no tratamento dos alimentos, para reduzir o risco de contágio por coronavírus.

“Até ao momento, não existe evidência científica que suporte a possibilidade de ocorrer contaminação através do consumo de alimentos (sejam crus ou cozinhados)”. (12-15) Tendo em conta experiências anteriores, com outros coronavírus semelhantes (nomeadamente com o SARS-CoV e com o coronavírus MERS-CoV), a EFSA comunicou que a evidência “demostrou que a sua transmissão não ocorreu através do consumo alimentar”. (13) A Organização Mundial de Saúde (OMS) acrescenta que o coronavírus necessita de um hospedeiro (animal ou humano) para se multiplicar, não podendo ocorrer a sua multiplicação em alimentos. (12)

O European Centre for Disease Prevention and Control defende que apesar de se suspeitar que o novo coronavírus seja de origem animal, atualmente a sua transmissão ocorre por contacto próximo com pessoas infetadas pelo vírus, e também por superfícies ou objetos contaminados (13), sendo que a evidência científica mais recente reporta que este vírus pode sobreviver até 72 horas no plástico e aço, até 4 horas em cobre e até 24 horas em cartão,(16) superfícies estas muitas vezes utilizadas para preparar ou embalar alimentos.

Assim, e apesar do risco de transmissão por alimentos ser nulo à luz do conhecimento atual, o reforço das boas práticas de higiene e segurança alimentar é aconselhado (14, 17), seja em casa ou em estabelecimentos e unidades de restauração coletiva, nomeadamente:

– Lavagem frequente e prolongada das mãos (com água e sabão durante 20 segundos), seguida de secagem apropriada evitando a contaminação cruzada (por exemplo fechar a torneira com uma toalha de papel ao invés da mão que a abriu enquanto não higienizada);

– Uso frequente de desinfetantes à base de álcool;

– A desinfeção apropriada das superfícies de trabalho e das mesas com produtos apropriados;

– Evitar a contaminação entre alimentos crus e cozinhados;

– Cozinhar e ”empratar” a comida a temperaturas apropriadas;

– Lavar adequadamente os alimentos crus;

– Evitar partilhar comida ou objetos entre pessoas durante a sua preparação, confeção econsumo;

– Durante a preparação, confeção e consumo adotar as medidas de etiqueta respiratória (não utilizar as mãos ao espirrar ou tossir, mas sim utilizar um lenço de papel ou o antebraço).

– Os colaboradores de produção alimentar deverão ainda manter distância física entre si (pelo menos 1 metro) e estar atentos a possíveis sintomas.(12)”

Autores:

Catarina Paixão – Nutricionista, Investigadora Centro Interdisciplinar para o Estudo da Performance Humana, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa; Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

Rita Sequeira – Nutricionista, Investigadora Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

Paulo Sousa – Professor na ENSP-NOVA, Coordenador do Mestrado em Saúde Pública

Referências:

12. World Health Organization. COVID-19 and food safety: guidance for food
businesses. 

13. European Food Safety Authority. Coronavirus: no evidence that food is a source or transmission route; 2020.

14. Autoridade de Segurança Alimentar e Económica. Pode o novo tipo de coronavirus ser transmissível através da comida?; 2020.

15. US Food and Drug Administration. Food Safety and the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). 

16. van Doremalen N, Bushmaker T, Morris DH, Holbrook MG, Gamble A, Williamson BN, et al. Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1. N Engl J Med2020.

17. World Health Organization. Q&A on coronaviruses (COVID-19); 2020.

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