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O que diz a ciência sobre a relação da COVID-19 com a alimentação?

Uma alimentação com a proporção correta de macronutrientes e micronutrientes contribui para o correto funcionamento das funções fisiológicas do corpo humano.

“Sabe-se que uma alimentação com a proporção correta de macronutrientes (proteínas, hidratos de carbono, lípidos) e micronutrientes (vitaminas e minerais) contribui para o correto funcionamento das funções fisiológicas do corpo humano, nomeadamente a nível do sistema imunitário, assegurando assim a manutenção de um bom estado de saúde.

Um consumo adequado de, particularmente, vitaminas (A, C, D, E, B6, B12) e minerais (cobre, ferro, folato, selénio, zinco) melhora a resposta do sistema imunitário,(1, 2) podendo ter impacto no prognóstico de doença.

Contudo, não existe evidência científica que defenda que algum alimento e/ou suplemento possa prevenir ou tratar eficazmente o COVID-19.(3, 4) A European Food Security Authority (EFSA) ainda não identificou ou autorizou qualquer alegação de saúde a um alimento ou componente que seja considerado adequado para a redução dos fatores de risco de infeções, suportando assim, esta afirmação.(5)

Outro aspeto que deverá ser considerado nesta pandemia é o isolamento social e as consequências associadas ao mesmo, nomeadamente, a possibilidade de diminuição da atividade física habitual bem como a alteração de hábitos alimentares, que poderá levar a um aumento do peso corporal e, consequentemente, contribuir para incrementar a prevalência de excesso de peso e obesidade, de si já elevadas no nosso país (segundo o Inquérito Nacional de Alimentação e Atividade Física 2015-2016, cerca de 60% dos portugueses apresentavam pré- obesidade ou obesidade). (6)

Esse excesso ponderal acarreta desafios físicos e psicológicos que poderão comprometer o bem-estar, a qualidade de vida e a saúde dos indivíduos.(7-9) Para além disso, ter um Índice de Massa Corporal superior ou igual a 40 kg/m2 é considerado fator de risco para a severidade da COVID-19.(10)

Apesar de ainda não se saber se esta relação é explicada pela existência de outras co-morbilidades derivadas do excesso de peso (isto é, a obesidade aumenta a probabilidade de existência de outras patologias como a diabetes e doença cardiovascular e isso poderá explicar o seu efeito na severidade da doença) ou se esta relação é independente.(11)

Como tal, durante esta pandemia em que o distanciamento social é aconselhado, os cidadãos deverão continuar a seguir uma alimentação saudável, cumprindo as recomendações do guia alimentar português, a Roda dos Alimentos.

A alimentação deverá ser equilibrada (comer maior quantidade de alimentos pertencentes aos grupos de maior dimensão e menor quantidade dos que se encontram nos grupos de menor dimensão, de forma a ingerir o número de porções recomendado), variada (comer alimentos diferentes dentro de cada grupo variando diariamente, semanalmente e de acordo com a sua sazonalidade) e completa (comer alimentos de cada grupo e beber água diariamente).

É importante reforçar a continuação de um estilo de vida saudável, mantendo ou incrementando os níveis de atividade física, a par de uma alimentação saudável e equilibrada.”

Autores:

Catarina Paixão – Nutricionista, Investigadora Centro Interdisciplinar para o Estudo da Performance Humana, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa; Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

Rita Sequeira – Nutricionista, Investigadora Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

Paulo Sousa – Professor na ENSP-NOVA, Coordenador do Mestrado em Saúde Pública

Referências:

1. Gombart AF, Pierre A, Maggini S. A Review of Micronutrients and the Immune System- Working in Harmony to Reduce the Risk of Infection. Nutrients. 2020;12(1).

2. Maggini S, Pierre A, Calder PC. Immune Function and Micronutrient Requirements Change over the Life Course. Nutrients. 2018;10(10).

3. The European Food Information Council (EUFIC). Food and coronavirus (COVID-19): what you need to know. 

4. British Dietetic Association. There is no diet to prevent Coronavirus. 

5. Direção-Geral de Saúde. Da emergência de um novo vírus humano à disseminação global de uma nova doença – Doença por Coronavírus (COVID-19). COVID-19: Gravidez e aleitamento materno; 2020.

6. Oliveira A, Araújo J, Severo M, Correia D, Ramos E, Torres D, et al. Prevalence of general and abdominal obesity in Portugal: comprehensive results from the National Food, nutrition and physical activity survey 2015-2016. BMC Public Health. 2018;18(1):614.

7. Afshin A, Forouzanfar MH, Reitsma MB, Sur P, Estep K, Lee A, et al. Health Effects of Overweight and Obesity in 195 Countries over 25 Years. N Engl J Med. 2017;377(1):13-27.

8. Guh DP, Zhang W, Bansback N, Amarsi Z, Birmingham CL, Anis AH. The incidence of co- morbidities related to obesity and overweight: a systematic review and meta-analysis. BMC Public Health. 2009;9:88.

9. Amiri S, Behnezhad S. Obesity and anxiety symptoms: a systematic review and meta- analysis. Neuropsychiatr. 2019;33(2):72-89.

10. Centers for Disease Control and Prevention. Coronavirus Disease 2019 (COVID-19): Groups at Higher Risk for Severe Illness.

11. Araújo J, Oliveira A, Vilela S, Warkentin S, Lopes C, Ramos E. Da emergência de um novo vírus humano à disseminação global de uma nova doença – Doença por Coronavírus (COVID-19). COVID-19 e estado nutricional; 2020.

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