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Pais e filhos adolescentes – O conflito acentuado pelo isolamento

É importante reforçar os comportamentos de tolerância, cooperação e afeto.

Sabemos que a adolescência é uma fase de constantes alterações ao nível biológico, social e psicológico, e que essas alterações têm impacto nas dinâmicas familiares. Ser adolescente nem sempre é fácil, criar filhos adolescentes por si só é um desafio que, aliado à necessidade de isolamento físico devido à COVID-19, pode tornar a convivência entre pais e filhos adolescentes verdadeiramente difícil.

Os adolescentes viram as suas escolas fecharem, os eventos sociais serem cancelados ou adiados, muitas vezes sem nova data, ficaram impossibilitados de estar fisicamente com os seus pares e professores, não podem praticar desporto como eventualmente o faziam e muitas vezes sentem que em casa têm pouca independência. Alguns adolescentes também não percebem a gravidade da situação e da ameaça à sua saúde, até porque, eventualmente, terão amigos que não estão a respeitar o confinamento obrigatório imposto pelo Governo.

Toda esta realidade de incerteza poderá ser geradora de ansiedade, frustração, zanga, nostalgia, tédio, medo, podendo fazer com que coloquem em causa os seus projetos académicos futuros, os seus relacionamentos afetivos, entre outros.

Mais

Os pais com subcarga de funções (o teletrabalho, as tarefas domésticas, o dar apoio aos filhos nas aulas virtuais, a preocupação com a saúde dos familiares, a inquietação com a realidade económica atual) leva muitas vezes a que o cansaço físico e psicológico se instale.

Esta situação geradora de intranquilidade, fonte de ansiedade e stress poderá aumentar o risco de conflitualidade entre pais e filhos.

Alguns princípios orientadores para melhor compreender os filhos adolescentes e gerir os conflitos:

– Estabeleça rotinas com flexibilidade; limites claros e consistentes são fundamentais para regular o comportamento.

– Conheça os interesses do/da seu/sua filho/a e elaborem em conjunto tarefas/projetos (individuais ou em família) para fazerem durante a semana.

– Fale com o/a seu/sua filho/a sobre a importância do isolamento físico para ele/ela e para as outras pessoas. Ajude a pesquisar informação em fontes fidedignas (por exemplo, DGS, OPP, UNICEF, OMS, entre outras).

– Esclareça que estar isolado fisicamente não é o mesmo de estar isolado socialmente. Citando o psiquiatra Júlio Machado Vaz “nunca na história da humanidade tivemos tantas possibilidades de nos ligarmos aos outros, através da tecnologia”. É muito importante os jovens manterem contacto com os seus pares, pois reforça as redes de suporte social. Incentive o bom uso das redes sociais.

– Dê espaço para que o/a seu/sua filho/a possa partilhar o que está a sentir, esteja presente. Ouça verdadeiramente o/a seu/sua filho/a e valide os seus sentimentos. Reconheça que o que está a sentir é compreensível tendo em conta a situação que está a viver.

– Seja coerente com aquilo que pede e aquilo que faz. Dê o exemplo e queira que o/a vosso/a filho/a olhe para vocês como um modelo a seguir.

Não existe uma família igual às outras; as famílias são muito variadas, mas, acreditamos que a resiliência das famílias é fundamental para vivenciar de forma positiva esta nova realidade.

Vamos todos reforçar os comportamentos de tolerância, cooperação e afeto.

Deixamos-lhe informação útil, caso queira ler mais sobre o assunto:

https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/advice-for-public/healthy-parenting

https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_familias_isolamento.pdf

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