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Gestão de conflitos com crianças em tempo de isolamento social

Um dos desafios, nesta fase, é o facto dos pais serem os únicos adultos presentes no dia-a-dia dos filhos.

Em tempo de isolamento social, com as escolas fechadas e com as relações sociais limitadas, sem atividades desportivas, artísticas, culturais e de lazer, com limitação de espaços, sendo que muitas vezes o espaço de refeições é o mesmo que o de estudo dos filhos, de trabalho dos pais, de convívio familiar… a alteração na vida de cada um de nós, crianças, jovens e adultos obriga-nos a readaptações constantes e a reinventarmos a nossa vida e as nossas atividades diárias. Todas estas alterações trazem consigo alterações nas relações familiares, que se tornam mais exigentes, sobretudo quando existem crianças em casa.

Os pais devem ter presente que vai ser exigente (para todos) e que será necessária uma dose reforçada de paciência, de compreensão e de criatividade para gerir o dia-a-dia. Importa aceitar que a dose reforçada de paciência pode ser muitas vezes difícil de conseguir e que isso é normal! Caso se encontrem em teletrabalho, não conseguirão trabalhar o número de horas que trabalhariam numa situação normal e a produtividade será menor (identifiquem prioridades e foquem-se nelas). Organizar os momentos do dia pode ajudar, neste processo. 

Um dos desafios, nesta fase, é o facto dos pais serem os únicos adultos presentes no dia-a-dia dos filhos, desempenhando múltiplas funções e tarefas, não estando presentes outros adultos de referência para a criança que auxiliem a tarefa dos pais em algumas áreas. Este aspeto aumenta a possibilidade de surgirem conflitos entre pais e filhos em diversas situações.   

Sugestões que podem ajudar a compreender melhor os comportamentos das crianças e a reduzir os conflitos em casa: 

– Validar os sentimentos da criança oferecendo apoio. Explicar que não há problema em sentir medo, estar triste, ficar nervoso ou assustado, por que toda a gente se sente assim de vez em quando. Elogie a criança por expressar os seus medos e preocupações e acolha-os. Relembre situações passadas em que se sentiu assim e de como foram provisórias.

– Muitas vezes é difícil para as crianças expressarem por palavras os seus medos e preocupações, tornando-se agitadas, mal-humoradas, distraídas, com birras ou muito carentes. Seja compreensivo e paciente, tente perceber junto delas o que se passa e assegure-lhe que gosta delas independentemente das suas reações e que não a abandonará.

– Brincar com as crianças é uma das interações mais positivas que se pode ter com elas e que as ajuda a reduzir a ansiedade, agitação ou a diminuir as “birras”.

– Fazer um plano familiar com a colaboração das crianças, negociando com ela tempos de lazer, de trabalho, atividades conjuntas e tempos para relaxar e estar sozinho. Importa garantir este equilíbrio e que o plano seja adaptado a todos. Não esquecer as atividades físicas mesmo dentro de casa, partindo dos interesses da criança, tempo de partilha com amigos e familiares por videochamada e tempo para não fazer nada. 

– Aproveite este tempo para realizar tarefas que habitualmente são difíceis de fazer, como por exemplo tarefas domésticas em conjunto, tomar o pequeno almoço juntos, treinar tarefas de forma autónoma que demoram tempo e por isso não faz habitualmente (ex. vestir sozinho, abotoar os sapatos, tomar banho sozinho, fazer a cama…).

– Escolha as “batalhas” a travar. Pode ser mais rigoroso com rotinas de sono ou de segurança, mas mais flexível com outros temas, o número de brinquedos que leva para o banho, por exemplo.

– Quando sentir que “já não aguenta mais” ou que se pode descontrolar, respire fundo, faça uma pausa de cinco minutos e afaste-se para alguma parte da casa onde possa estar sozinho, pense na mensagem que a criança lhe está a transmitir de forma a agir, em vez de reagir.

 – Incentive a realização de atividades de responsabilidade social. A evidência científica indica que, quando sentimos medo ou tristeza em resposta a notícias negativas, é útil adotar algum tipo de ação positiva. Pergunte à criança o que é que gostaria de fazer para ajudar alguém da família, um amigo ou uma pessoa que conhece (fazer um desenho para enviar, emprestar material escolar a um colega que não tenha, com os devidos cuidados de segurança). 

Se quiser aprofundar este tema, consulte o Kit de sobrevivência para pais, da Ordem dos psicólogos:

https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_familias_isolamento.pdf

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